Literatura
 



Poesias

Literatura

Maria Clara de Assis Carneiro


noções básicas de poesia
melopeia: ritmo, som, melodia
nem rima, nem métrica, nem assonância
é o barulhinho que você faz quando mastiga
sua risada que dá para ouvir do fim da rua
tututu seu que junta com o meu no abraço
música que sai das cordas do seu baixo
timbre que eu só reconheço por sua causa
nossa playlist tocando no fundo do quarto
e o gemido que por hora só pode sair abafado

noções básicas de poesia
fanopeia: imagem, matéria visual do poema
nem imagem produzida, nem forma da estrofe
é seu longo cabelo tingido de verde-azul-preto ruga que você tem entre as sobrancelhas
pintinha mais ao canto e abaixo do seu lábio
marca do meu batom vermelho na sua cara
todos os tons que eu deixei em seu pescoço
suas mãos entrelaçadas com as minhas
e aquele espacinho entre elas que me incomoda

noções básicas de poesia
logopeia: conceito, lógica, referências, ideia
nem semântica, nem sentido, nem dicionário
é quando você passa pela minha cabeça
toda noite bem dormida sonhando contigo
acordar e pensar que seria melhor ao seu lado suas palavras que se misturam com as minhas
as minhas, as suas e as nossas ideias trocadas
eu te amo que com esforço empurrei para fora
e todos aqueles que eu nunca mais guardo

noções básicas de poesia
melopeia, fanopeia e logopeia
o que me importa se a rima é rica
se os versos são brancos e livres
que métrica é essa que eu esqueci
não enxergo mais do que palavras
para onde vou não tem sentido ou direção
eu sou uma poeta fajuta porque tudo que escrevo
não chega nem a metade de meio poema perto
de toda a poesia que escuto, vejo e sei que é você


Maria Clara de Assis é brasiliense, estudante e escreve desde que se entende por poeta. Escreveu a coletânea poética “Serei a Poetisa” no Wattpad, retirada para futura publicação no formato físico. Participa do Curso de Formação de Escritores da Editora Metamorfose, tem mais livros do que amigos e pode ser encontrada no Instagram @madeassis tagarelando sobre eles ou flertando com a tristeza no chão do quarto enquanto chora mais poemas que consegue contar.


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