O desafio de escrever para jovens
 



Dica de Escrita

O desafio de escrever para jovens

Christian David


Nesse bate-papo, Christian David fala sobre os desafios da literatura juvenil e como você pode transpor algumas barreiras deste gênero. Christian David é graduado em Biologia e pós-graduado em Literatura Brasileira pela UFRGS. Participante e organizador de diversos movimentos que procuram valorizar a literatura como a Confraria Reinações e a Odisseia de Literatura Fantástica. Já foi Presidente da Associação Gaúcha de Escritores, Representante Regional da AEILIJ e jurado em diversas premiaçoes.Tem mais de 15 títulos publicados em editoras como Editora do Brasil, Saraiva, Abacatte, Panda Books, Gaivota, Paulinas, Artes e Ofícios e BesouroBox. Já recebeu diversos prêmios como o Prêmio Saraiva 100 anos, Prêmio AGES, Prêmio Cidade de Passo Fundo, Prêmio Off-flip, Prêmio Academia Rio-grandense de Letras, Prêmio Sintrajufe-RS pelo conjunto da obra, inclusão no Catálogo de Bolonha, Acervo Básico e Selo Altamente Recomendável da FNLIJ, além de finalista nos prêmios Açorianos e AEILIJ. Nascido e criado em Porto Alegre, vive cercado de livros e filmes de ficção científica e fantasia. Utiliza-se de cenários cotidianos ou fantásticos para contar suas histórias e discutir suas inquietações. Tem participado de mesas-redondas abordando a literatura infantojuvenil e de encontros com alunos em diversas escolas.

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Quais são os maiores desafios para um escritor de literatura juvenil?

Acredito que, além dos desafios habituais de escrever qualquer texto literário, exista a questão de contar uma história de um jeito atraente para o jovem, e fazer isso sem que pareça forçado ou artificial. Há ainda os que tentam ensinar algo ou dar uma lição, o que não me parece ser a ideia apropriada para um texto literário nos dias de hoje.

Dê cinco dicas para vencer estes desafios.

- Seja verdadeiro, escreva o que te toca ou emociona.
- Leia muita literatura pensada para a juventude.
- Converse com jovens e lembre da sua juventude, jovens são complexos.
- Não tente dar lição nenhuma, apenas conte uma história, cada história suscita em cada pessoa reflexões e sentimentos diferentes.
- Observe diálogos e linguagem, e aprenda como colocá-los no papel.

O que mais te fascina neste gênero literário? Por que você escolheu este para guiar a sua carreira de escritor?

Não foi e nem é exatamente uma escolha consciente. Acontece que muito do que escrevo acaba tendo uma abordagem apropriada para a juventude, mas acredito que o livro bom, ainda que possa ter uma identidade maior com a faixa citada, ultrapassa essas barreiras e se torna uma experiência rica para leitores de todas as idades.

Para falar com este público, é necessariamente obrigatório ser jovem? Aquele famoso “espírito jovem” conta?

Existem jovens de todas as idades, e velhos também. Amadurecer não é, como dizia C. S. Lewis, o criador de Crônicas de Nárnia, simplesmente abandonar gostos e pensamentos antigos, é possível acumular gostos e aumentar o repertório. Temos tudo o que já vivemos dentro de nós e o artista precisa lançar mão de todos estes recursos quando cria.

Qual é o papel da pesquisa e da observação para um escritor de literatura juvenil?

Talvez um pouco maior no que diz respeito a comportamento e linguagem, mas de resto se dá da mesma forma que para qualquer outra faixa etária. O texto para jovens tem a mesma complexidade que qualquer outro texto, não deve ser pensado como um texto mais simples ou com menos exigências.

Por que hoje se utiliza o termo literatura juvenil em vez de infanto-juvenil?

É mais uma questão de nomenclatura, mas existe também, em muitos casos, o desejo do jovem de ser reconhecido como um grupo à parte, uma necessidade de afastar-se da infância, de forma que, talvez comercialmente, a utilização dessa nova forma tenha seu valor.

Para você, quais são os livros e autores deste gênero que mais te inspiram?

Não só desse, mas de vários gêneros. Gosto muito de Erico Veríssimo e Josué Guimarães, com os quais aprendi muito sobre narrativa. Isaac Asimov é um exímio contador de histórias e faz parecer que escrever é uma coisa mais simples do que realmente é. Claro que J. M. Barrie, Lewis Carrol e Roald Dahl também me ensinaram muito. E é necessário citar J. K. Rowling que inaugurou um novo entendimento de “o que os jovens gostam de ler”.

Que conselho você gostaria de passar para quem está começando a se aventurar na literatura juvenil?

Leia muito, seja verdadeiro na escrita, faça por paixão e não por dinheiro (para não se decepcionar e não deixar somente o mercado guiar a tua pena), frequente eventos literários, prestigie lançamentos dos colegas e converse com seus pares. Aprenda sempre e, depois de muito trabalho, submeta textos às editoras. No mais, seja feliz escrevendo.

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