Como escrever uma biografia
 



Dica de Escrita

Como escrever uma biografia

Cinthia Dalla Valle


Este artigo fala sobre a escrita de biografias em dois aspectos, ou melhor, sob duas diferentes óticas: a própria, através da escrita da sua própria biografia e a biografia do outro, através da escrita da história de alguém.

Se você já leu alguma biografia, pode achar que ela apresenta a conjugação mais egoísta que existe: o EU. Porém, uma biografia está longe de mostrar a perspectiva do umbigo do protagonista da história, ela mostra um pouco de todos nós, de todos que a leem.

As histórias de vida - as grandes matérias-primas de uma biografia - podem até ser contadas com o objetivo de divulgarem ou projetarem alguém no mercado editorial ou outro qualquer, mas elas geralmente vão além.

À medida em que elas são contadas e despejadas na vida do leitor, elas são ressignificadas e interpretadas conforme as experiências de vida dele e não do autor.

Estas histórias chegam e encontram outras histórias, outras verdades, parecidas ou antagônicas, mas que, de alguma forma, transformam e geram sensações, sentimentos e emoções que só as histórias reais provocam.

Nas biografias, o leitor geralmente encontra a narrativa como linguagem predominante, mas elas podem utilizar outras formas de gerar empatia e diferentes sensações no leitor, como uma pitada de poesia, de crônica e até de ficção, por que não?

Voltando ao objetivo deste texto, pode-se escrever biografias de duas maneiras: escrever a própria biografia partindo das lembranças e fatos marcantes da vida ou confiar esta missão a um profissional especializado, sem perder, contudo, a verdade da história.

Na primeira opção, não basta ter uma história ou várias para contar, até porque isso todo mundo tem. É preciso saber contá-las de um jeito atraente, envolvente, utilizando ferramentas da literatura e do storytelling. Isso, é claro, se o autor pretende conquistar leitores. Agora, se o objetivo for registrar as suas memórias para si mesmo e para sua família, não é necessário se prender a uma linguagem específica. Só não se esqueça que esta biografia poderá ser lida pelos seus netos, bisnetos e tataranetos.

Na segunda opção, quando se contrata um profissional especializado em biografias, se garante o “saber contar”, no caso de a pessoa não ser familiarizada com a escrita ou não se sentir segura para tal missão.

E será que, nesse caso, se perde um pouco da verdade e da alma das histórias? Não se o protagonista souber eleger os pontos mais importantes da sua trajetória, escolher palavras-chave essenciais e se ele conseguir transferir a alma do livro para o escritor.

Por fim, se existisse uma receita para se escrever uma biografia, seria a seguinte:

> Primeiro, pense no porquê, na mensagem ou nas mensagens que você quer passar com a sua biografia;

> Reflita sobre os principais acontecimentos da sua vida e trace uma linha do tempo, como aquelas que vemos nas histórias das grandes empresas;

> Em seguida, adicione os sentimentos e aprendizados mais importantes que cada um destes acontecimentos gerou;

> Além do porquê, inclua elementos essenciais para uma boa história: os obstáculos, ou seja, as suas lutas para conseguir alguma coisa; o antagonista (contra quem você lutou), que pode ser você mesmo; e o conflito (sem conflito, a sua história é apenas um relato);

> Depois, passe o foco para o leitor e se pergunte se as suas histórias têm o poder de subverter, ou seja, de transformar o outro de alguma forma. Pronto, agora é só adicionar coragem para se jogar nesta aventura!


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