Escritores e os turbulentos mares da internet
 



Escritores e os turbulentos mares da internet

por Roberto Tostes

Em tempos digitais que mudam constantemente e nos quais a web se divide cada vez mais em múltiplas redes sociais disputando espaço, atenção e cliques, cabe a escritores, editoras e até livrarias testarem e implementarem novas formas de se comunicar e se aproximar do público.

Blogues perderam nos últimos anos cada vez mais espaço para imagens e vídeos. Até Facebook e YouTube deixaram de ser mídias dominantes para alternativas mais visuais como Instagram, TikTok e outras com recursos de vídeos e sons fáceis de usar e compartilhar.

Podcasts ganharam força, as plataformas de financiamento coletivo permitem a novos autores e pequenas editoras viabilizarem edições que antes eram baseadas no risco.

Precisamos saber enxergar as mudanças e nos adaptar. São muitas coisas acontecendo mas quem continua mandando é o público, a audiência ou o leitor. Num mundo tão diversificado os nichos passaram a ter grande valor, pois eles refletem valores de pequenos grupos, ideologias e culturas que se fortalecem unidas.

Um autor hoje tem que saber se posicionar na internet para ter mais visibilidade sem necessariamente ter que pagar anúncios ou mídia para isso.

O que adianta ter um belo e potencial texto engavetado se não teve a chance ainda de ser publicado?

A questão não é apenas ser ou não ser publicado, mas sim o fato de precisar abrir um canal, de forma que você possa ser lido ou ouvido. É principalmente, uma questão de identidade e presença digital. O que você é, o que você quer dizer, e quem você pode alcançar.

Já foi o tempo que escritores dependiam apenas de serem “descobertos” por editoras, agentes, concursos literários ou investir em uma autopublicação.

Os “influencers” conseguiram ganhar destaque e valor como forma de divulgação pois sabem lidar com este universo digital e mobilizar suas comunidades. A internet vive de interação e eles sabem fazer isso bem.

Não quero dizer com isso que escritores precisam se enfeitar e subir no palco, ou se tornarem grandes comunicadores da noite para o dia.

Para ter sua voz e espaço, algo precisa ser feito, e a melhor maneira de começar é acreditar no seu trabalho, e buscar caminhos possíveis para ser lido.

Muitas plataformas podem servir de canal para seus textos, publicações, projetos e textos.

A resposta final, de qualquer forma, será dita pelos leitores e pela interação, respostas e diálogo, e não necessariamente pelo sucesso ou audiência.

A permanência e o valor na internet são dinâmicos e relativos. O que está vivo agora amanhã já mudou. Mas tudo que é bom, feito com trabalho e esforço, e construído com dedicação e persistência tende a durar mais.

Uma grande caminhada começa com pequenos passos e com um plano de alguém que tenta enxergar, ou sonhar, além do conhecido e já sabido por todos.

E principalmente, querendo arriscar, mesmo sabendo que pode errar e ter que recomeçar.

Mas em vez de pensar mais e esperar, o melhor mesmo é começar a fazer.


Roberto Tostes é autor independente e publicou um livro com textos e desenhos chamado Vida Passageira. O livro está em formato digital e tem acesso gratuito no link: https://issuu.com/robertotostes/docs/passag_urb_4mai_f

 

 

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