A nova sala de aula
 



A nova sala de aula

por Jacira Fagundes

O ano de 2020 chega ao fim, deixando atrás de si uma montanha de estragos. Em diversos setores deixa perdas econômicas, perdas institucionais e individuais. Com mais força, deixa em desamparo os setores voltados à cultura, às artes e ao entretenimento. As perdas são incalculáveis.

Não me sinto autorizada, tampouco com a credibilidade necessária, para discorrer sobre os prejuízos nas diferentes áreas da economia, ou da instabilidade política que ainda devasta com tantos desacertos e espalha a descrença.

Quero falar do que aconteceu com as escolas, com o ensino a crianças e jovens, com os professores e com a educação em geral.

Não é de hoje que venho acompanhando o trabalho desenvolvido pelos professores junto ao alunado. Convivi com o ambiente escolar como professora e como especialista em educação na antiga SEC. Aposentada, vejo o trabalho nas escolas desenvolvendo-se de forma quase idêntica à que vivenciei passados tantos anos. Há exceções, claro, de professores que atuam de forma dinâmica junto aos alunos, que, mais do que ensinar conteúdos, bem mais, ensinam o aluno a aprender através da leitura de formação, de consultas, de projetos, de debates em sala de aula ou fora dela.

Neste ano tão peculiar, quase se ficou à deriva. Escolas fechadas obrigaram o professor a se desacomodar e se reinventar. Não só os professores – famílias precisaram buscar novos espaços na casa e os transformarem em inadequadas salas de aula. Pais e mães, tios e avós, aventuraram-se nas tarefas de ensino-aprendizagem. Do jeito que podiam, entre os livros e as tarefas domésticas.

Foi um ano atípico. Que, provavelmente, terá sequência em 2021, caso não se encontre melhor saída. Mas houve aprendizagem, e muito favoráveis ao ensino, nesta instabilidade instalada em 2020.

Ocorreram os encontros online, as aulas não presenciais, a literatura digital, o bom uso da Internet para além dos jogos e entretenimentos, o uso inteligente do celular, as pesquisas e os projetos. As plataformas se abriram ao ensino, sem custos. E desenvolvedores de tecnologia chegaram de todos os cantos anunciando um novo mundo de possibilidades.

Em minhas visitas a escolas como escritora, ou em encontros com professores e escritores, nunca perdi uma oportunidade para alertá-los para esta verdade – de que a tecnologia e o espaço digital precisam ser explorados, palmilhados pela escola e direcionados aos jovens e crianças. Para além da sala de aula que não comporta, nem nunca comportou todos os conhecimentos. Que o poder e o dever da escola é “ensinar a aprender” uma vez que nenhuma escola detém, isoladamente, o saber, a crítica e o pensar.

É o futuro se fazendo presente hoje, agora, por exigência da pandemia. Que o mal se dissipe, mas que se permaneça fiel ao novo comportamento que nos fez expandir a sala de aula para além de um horizonte libertário.

 

 

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