Pecadora, de Nana Pavoulih
 



Pecadora, de Nana Pavoulih

por Dani Marques

A começar pelo título e pela capa do livro “Pecadora”, de Nana Pavoulih (editora Essência), podemos ter uma ideia equivocada sobre o tema tratado na obra. E falo isso por experiência própria, pois achei que era mais um livro que segue a linha do gênero “romance erótico” dos tempos atuais.

Para a minha surpresa, “Pecadora” é muito mais que isso. Ele conta a história de Isabel, uma jovem mulher de 22 anos, que foi criada dentro da igreja evangélica e é obrigada a seguir seus princípios e regras, caso contrário irá diretamente para o inferno. Os pais da moça são tão rigorosos que, em determinado momento, seu pai cria uma igreja própria, por acreditar que a que eles frequentavam era muito “livre”.

Mas ao contrário do que lhe é ensinado sobre o comportamento de uma mulher “temente a Deus”, Isabel é uma pessoa com vários impulsos sexuais. Tendo se casado muito cedo com um rapaz com o pensamento opressor igual ao do seu pai, toda a relação sexual que conhece é a que envolve o marido levantando seu vestido (sempre longo até os joelhos) e consumando o ato sem se preocupar com o que ela sentia. Aliás, o esperado era que ela não sentisse nada, ou até mesmo odiasse o ato, já que quando demonstrou gostar, foi duramente reprimida pelo cônjuge.

Mas Isabel não consegue parar de pensar em sexo, e ao mesmo tempo se sente suja e errada por isso. Ao conhecer Enrico, um amigo do seu marido, esses desejos se tornam ainda mais intensos e, quando começa a trabalhar com ele, temos o desenrolar de um romance, mas o destaque está na sua libertação. É impossível não se emocionar com a primeira vez que ela usa os cabelos soltos, passa batom e veste uma calça jeans. Pequenas coisas que, para ela, são passos enormes.

Enrico é agnóstico, não acredita em Deus, mas não é contrário à fé. Ele a apoia e a ajuda a se libertar de preconceitos e limitações, ao passo em que a ensina sobre seu próprio prazer, deixando-a realizar suas fantasias e fazendo-a entender que ela não é errada por sentir prazer físico.

Outro ponto para “Pecadora” são as músicas apresentadas na obra. Uma delas é “Eu quero ser feliz agora”, de Oswaldo Montenegro, que fala justamente da relação entre ter medo e religião. Sem spoilers, mas é preciso falar também que o final do livro é maravilhoso e não deixa nada a desejar.

Em resumo, “Pecadora” defende que é possível ser uma mulher livre, sem que para isso seja preciso deixar tudo o que acredita para trás. Essa leitura me mostrou tanta coisa. Percebi que mesmo não tendo sido criada dentro da igreja e não seguindo nenhuma religião, fui lapidada para “não fazer isso”, “não falar aquilo” e, assim como Isabel, para não ser uma “vadia”.

Considero este o meu livro favorito, e se posso indicar a alguma mulher, o faço com orgulho. Sejamos livres, manas!

 

 

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