Rio Cochó
 



Poesias

Rio Cochó

Firdauz


Rio das histórias e cantigas de amor
Rio das vidas que se fizeram cidades
Rio dos refúgios de tantas espécies
Rio dos imigrantes e quilombolas
Rio dos negros fugitivos
E dos quilombos que nasceram em suas margens

Rio dos que vieram e ficaram
Rio dos Paiaiás, Maracás
E outras etnias que ninguém sabe
Rio de tantos aventureiros que chegaram e se foram
Rio dos tropeiros e garimpeiros
Rio do ouro e dos diamantes
Rio da Estrada Real
E do tesouro que atravessava suas águas

Rio das primeiras casas e abrigos
Das primeiras feiras e dos atravessadores
Barqueiros e jangadeiros
Rio das águas que matavam a sede
E a fome de quem ficava ou caminhava
Rio dos namorados

Rio dos amantes das noites de lua do sertão
Rio das histórias de amor
Dos prazeres e das dores
Que eram cantadas e choradas
Lágrimas que rolavam em suas águas
E se transformaram
Em histórias encantadas de amor

Rio das margens largas
Das matas ciliares e árvores frutíferas
Rio das matas onde meninos brincavam
E as mulheres cantavam
As roupas que lavavam
Junto às suas dores que secavam
Com suas músicas ao sol

Rio dos homens e das mulheres
Que aqui chegaram e se apaixonaram
Rio da primeira rua
Rio da Rua da Palha
Das paliçadas que abrigavam viajantes
Rio das festas e orgias de bem-querer
Rio dos curumins que nasciam
Após as noites de amor

Rio da Yara que viu tudo e abençoou
Rio do Jarê
Dos caboclos que sabiam
De tantos dramas humanos
Que também abençoavam as
Desditas humanas
Rio histórico e cultural

Rio das águas que foram se infestando
De dejetos humanos
Rio de dejetos desumanos
Rio das casas que cresceram tanto
Em suas margens que agora o estão matando
Rio sem matas ciliares
Rio que se afoga pelo descaso do poder
Rio que perde seu viço
Rio que perde sua vida
Rio que assoreia e vai desaparecendo
Sob o aterro cruel do lixo
Que o ser inumano produz

Rio que é mãe e pai de Seabra
E de tantas cidades mundo afora
Rios que são vida e se despedem do mundo
Mundo que fecha seus olhos
Para os rios que agonizam

Rios que agonizam junto a tantas espécies
Rio das mortes de tantas belezas
Rio da beleza humana que morre
Junto com a morte do rio.

 

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