Poesias
Inconsciência
Lucimar Hofmann Bogo
Esta mala que trago não sei de onde
Que me acompanha há séculos
De um onde e um quando em que não fui Cleópatra
Nem outra princesa picada por cobra
Não fui roubada por nenhum troiano
Nem decapitada por hordas burguesas
Depois de ficar presa na torre de um castelo
Sei lá quem fui em outros tempos
Que a mala trancada não deixa entrever
Mas as travas dizem mais de mim
Do que minha pele aparenta conter
Fui algum obscuro bicho do mato
Escondido entre as dobras dos séculos
Nascido nas sombras de árvores milenares
Que me deram abrigo e seus frutos
E no colo de minha mãe, sempre a mesma
Pois sempre fui dela e ela sempre minha
Percorri a longa noite dos tempos
Dormi uma eternidade sobre a roda dos signos
E aqui estou, com a mala ainda cheia
Pesada, atada aos meus pés
Mas na aurora que anuncia a entrada do sol
Encontro enfim a chave enigmática
E retiro da bagagem as pedras, uma a uma
Marcando com elas o caminho já percorrido
Para nunca mais voltar à escuridão.
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