Diálogos

Ô, pai?

Luis Antônio Franckowiak Pokorski


- Ô, pai?

- Quê, filho?

- Não vai chover, domingo, vai?

- Ah, não sei, filho. Não sei.

- E se chover? Não vamos ao parque, pai, se chover?

- ...

- Ô pai, quantos anos tem o Sansão?

- Acho que tem uns sete anos.

- Bah, pai. Ele é mais velho do que eu?

- Sim. É sim. Sim...


- Ô pai? O Sansão vai morrer um dia?

- Sim, filho. Todos morreremos um dia.

- Um dia? Como um dia, pai? O mano já morreu há muitos anos? Como um dia?

- Filho, um dia, quero dizer numa data. Um dia desses todo mundo pode morrer.

- Ô pai? Mas o Sansão vai morrer antes de mim?

- Sim. Acho que sim. Os cachorros duram bem menos do que as pessoas.

- Mas o mano viveu só um aninho?

- A gente pode morrer, filho, pequenino, jovem, adulto ou velhinho. Até mesmo antes de nascer.

- Antes de nascer, pai? Mas como, pai, antes de nascer?

- Ah, filho. É assim que é a vida.

- Mas, pai, o que é assim? Pai!

- Pô, filho, dá um tempo...Tu parece um filósofo?

- Ô pai? Ô pai?

- Sim? Sim?

- Mas, o que é um fisól... um filósofo, pai?

- ...

- Pai?

- ...

- ?

- ...

- Ô pai!


***

Luis Antônio Franckowiak Pokorski é psicanalista pelo CPRS e professor. É graduado em Filosofia. Tem especialização em Administração Educacional, Sociologia e Pedagogia Inaciana. É doutorando em Psicologia Social pela Universidad Argentina John F. Kennedy - UFK. Participa do Curso Livre de Formação de Escritores da Editora Metamorfose.


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Comentários:

Teu texto convida a reflexão. Sensível. Na medida. Gostei.

Marlene Netto, Cachoeirinha RS 03/10/2019 - 18:17

Texto maravilhoso. Muito sensível! Parabéns Luis!

Ana, Porto Alegre 12/08/2019 - 14:30

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