Poesias

Relembre o oito de março

Giselle Steinstrasser


Meia-noite e três.

Carla. Sete anos. O pai.

Meia-noite e quatorze.

Juliana. Trinta e dois. O vizinho.

Meia-noite e vinte e cinco.

Liége. Treze. O irmão.

Meia-noite e trinta e seis.

Beatriz. Cinquenta e quatro. O marido.

Meia-noite e quarenta e sete.

Carolina. Vinte e dois. O estranho.

A cada onze minutos uma mulher é violentada.

Dezenove e cinquenta e quatro.

Laís. Vinte e cinco. Queimada

Vinte e uma e cinquenta e quatro.

Roberta. Dezessete. Estrangulada.

Vinte e três e cinquenta e quatro.

Gabriele. Quarenta e nove. Esfaqueada.

A cada duas horas uma mulher é assassinada.

O homem teme o infarto.

A mulher teme o homem.

— Relembre o oito de março

***

Giselle Steinstrasser é autodiagnosticada com síndrome de Pollyanna. Idealista contumaz, acredita que se pode combater a desigualdade extrema, o capitalismo financeiro, a mudança climática e outras três coisas impossíveis antes do café-da-manhã. Dedica mais tempo refletindo sobre os mistérios do 42 do que considera razoável. Vê a leitura como modo de vida, e nunca sai de casa sem um livro; frequentemente volta com dois. Incidentalmente, é advogada, mas prefere que não usem isso contra ela.

 

 

 

Comentários:

Caríssima Gisele,

Quisera que tuas palavras

fossem apenas poesia, mas

não, infelizmente eram expres

sam a nossa triste realidade.

Diz-se que o homem evoluiu

desde a pedra lascada, o que

é verdade, mas, nas humano-

dados, deixa muito a desejar.

Em pleno século XXI, a barbá-

rir do homem contra a mulher

é assustadora. A pergunta é


será possível reverter para que

as meninas tenham direito à

vida? E como chegar lá? Para-

bens pela sua poesia!!!

Maria Theresinha Gonçalves Mattos, Florianópolis/Sc 01/07/2019 - 11:49

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