Assalto
 



Diálogos

Assalto

Paulo de Sá




- Cem reais – disse o ambulante que tentava vender uma rede na praia, em pleno domingo.

João, que morava numa quitinete onde mal dava para esticar os braços, não tinha a menor intenção de comprar a rede.
Mesmo assim, contestou:

- Caríssimo.

- Pra você eu faço por oitenta.

- Por que pra mim? Tu nem me conhece.

- Te vejo sempre aqui na praia. Oitenta.

- Caro.

- Setenta.

- Caro.

- Por menos de sessenta eu não vendo!

- Tá me achando com cara de gringo? Não vou pagar sessenta reais numa rede.

- Cinquenta. – disse baixinho o vendedor, já entregando a rede.

- Tu não disse que não vendia por menos de sessenta?

- Pra qualquer um, não. Mas pra você, eu faço cinquenta.

A brincadeira estava indo longe demais.

- Ó, meu amigo, não vou comprar rede nenhuma. Só tenho dez reais – confessou mostrando a carteira.

- Fechado.

- Hein?

- Dez reais. Como é pra você, eu vendo. Toma aí.

Ele segurou a rede, incrédulo. Pensou em recusar novamente, mas temeu a reação do ambulante. Achou melhor cooperar e entregar o dinheiro.


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Comentários:

Tenho duas coisa em comum com este texto: sou nordestina e meu pai nos criou fazendo rede, aliás a cidade ode nasci é a cidade das redes. Outra coisa, fui vendedora e hoje faço treinamentos de técnicas de vendas, confesso fiquei com dó deste vendedor. Agora título é muito pesado, será que ele não estava precisando destes R$ 10,00 para almoçar?

Maria Cicera Araújo Fonseca, São Paulo 17/06/2021 - 15:04

Uau! Nunca pensei em espremer tanto um vendedor!

Luiz Alexandre Kikuchi Negrão, São Paulo/SP 03/06/2020 - 00:10

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