Premiado escritor Leonardo Brasiliense fala sobre o início de sua carreira, processo criativo e mais
entrevista com Leonardo Brasiliense
Leonardo Brasiliense é autor dos livros O desejo da Psicanálise (teoria psicanalítica, Sulina, 1999), Meu sonho acaba tarde (contos, WS Editor, 2000), Desatino (contos, Sulina, 2002), Adeus conto de fadas (minicontos juvenis, 7 Letras, 2006, prêmios Jabuti e Açorianos e selecionado para o PNBE 2009 e 2013), Olhos de morcego (contos, 7 Letras, 2007), Whatever (novela juvenil, Artes e Ofícios, 2009, selecionado para o PNBE 2011), Três dúvidas (novelas, Companhia das Letras, 2010, Prêmio Jabuti), Sofia e Mônica (novela juvenil, Edelbra, 2014), Corpos sem pressa (minicontos, Casa Verde, 2014, finalista do prêmio Açorianos), Decapitados (novela, Saraiva/Benvirá, 2014), Roupas sujas (romance, Companhia das Letras, 2017, Prêmio Minuano e finalista dos prêmios Jabuti e São Paulo), Eu vou matar Maximillian Sheldon (contos, Coralina, 2019), Peixe estranho (romance, Companhia das Letras, 2022) e Outras guerras (romance, Companhia das Letras, 2026). Escreve também roteiros de cinema e se dedica à fotografia.
É possível ser escritor e ter outra profissão?
Sim. Muitos escritores conciliam a literatura com outra atividade profissional. O importante é tratar a escrita com organização e disciplina. Ter um horário reservado para escrever permite que a produção avance sem depender apenas da inspiração.
É preciso escrever todos os dias?
Nem sempre. Há períodos dedicados à pesquisa e ao planejamento, e outros em que o escritor está efetivamente redigindo o livro. Quando está na fase de escrita, o ideal é manter uma rotina constante, mas isso não significa necessariamente produzir novas páginas todos os dias.
O que acontece antes da escrita?
Antes de começar a redação, muitos autores passam bastante tempo desenvolvendo a ideia, fazendo pesquisas, construindo personagens, testando narradores e planejando a estrutura da obra. Quando o projeto parece pronto, começa a fase da escrita, embora a pesquisa continue durante todo o processo.
Revisar também faz parte da escrita?
Faz, e muito. Existem dias em que o texto não aumenta, mas diminui. Cortar trechos, reorganizar passagens e eliminar excessos faz parte do trabalho. Um texto menor pode representar um livro melhor.
Quanto tempo leva para escrever um livro?
Não existe um prazo fixo. Alguns livros podem ser escritos em poucos meses, enquanto outros levam três ou quatro anos. Cada projeto exige um tempo diferente de pesquisa, maturação e desenvolvimento.
Como lidar com recusas das editoras?
As recusas fazem parte da carreira de qualquer escritor. Um livro pode ser recusado por razões comerciais ou por não se encaixar no perfil da editora, sem que isso signifique falta de qualidade. Há obras rejeitadas que depois encontram outro editor, são publicadas e até recebem prêmios.
Qual é a importância da pesquisa?
A pesquisa é fundamental para criar histórias convincentes. Muitas narrativas surgem de uma reportagem, de uma notícia, de uma entrevista ou de um fato curioso. A partir daí, o escritor busca informações em livros, documentos, vídeos e conversas com especialistas para construir um universo ficcional consistente.
O escritor deve repetir a mesma fórmula em todos os livros?
Não necessariamente. Muitos autores procuram experimentar novos narradores, novas estruturas e novos desafios a cada obra. Essa busca por caminhos diferentes faz parte do crescimento literário, embora a voz do autor permaneça presente em todos os livros.
O que motiva um escritor a continuar escrevendo?
Mais do que prêmios ou reconhecimento, muitos escritores afirmam que escrevem porque sentem essa necessidade. Enquanto houver vontade de contar histórias e prazer no processo de criação, haverá um próximo livro. A literatura deixa de ser apenas um objetivo e passa a ser parte da própria vida do autor.