Me ame menos
 



Dialogos

Me ame menos

Denise Ciciliano


- Alô, Ethan, a que horas você vem?

- Oi, Marilyn, eu estou bem, e você? Seus pais não te deram educação?

- Sim, me deram e eu só uso quando não tenho opção.

- Você é sensacional, Marilyn.

- Pode parar com isso agora.

- O que foi? Não posso te elogiar?

- Não foi isso que combinamos.

- Bem, eu pensei que existia uma certa flexibilidade.

- Não, Ethan, não tem. Aqui é do jeito que eu quero.

- E você sabe que eu gosto disso – ele sussurrou

- Então por que você não está aqui puxando meu cabelo com força e me fazendo gritar de prazer.

- Chego em cinco minutos.

***

- Bate mais forte, você parece um garotinho.

- Você gosta disso?

- Bem forte, Ethan, você pode me surrar!

- Você é quem manda, vai ficar com marcas na bunda por dias.

- Telefone – sinaliza Marilyn.

- Ok, Marylin, já parei.

- É o meu telefone tocando.

- Precisamos mudar nossa palavra de segurança.

- Só um instante, Ethan, preciso atender.

- Alô, meu anjo. Não atrapalha, pode falar. Claro, nos vemos amanhã. Beijos, também te amo - diz Marylin.

- Ethan, você não se abala mesmo! Vamos continuar, onde a gente parou?

- Quem era no telefone?

- Você vai querer me controlar agora? Desde quando eu te devo satisfação?

- Calma, Marilyn, foi uma pergunta casual. Volta aqui para eu te dar umas palmadas, seu bumbum ainda nem começou a ficar vermelho.

- Ethan, você não tem que acordar cedo amanhã?

- Sim, mas eu posso me atrasar um pouco.

- Mas eu não, melhor você ir agora.

- Se eu não te conhecesse iria achar que você está sendo grossa comigo. Vou tomar um banho. Não, melhor tomar banho em casa.

- Quer um café antes de ir?

- Vai permitir que eu deixe vestígios meus além do seu corpo.

- Você está vendo coisas onde não existem. Vai embora agora, esquece café, esquece a porra toda.

- Eu vou embora porque sei que você gosta de mandar em mim, e eu te amo justamente por isso.

- Puta merda, Ethan, não estraga tudo desse jeito. Daqui a pouco vai começar a me mandar emoji romântico.

- Essa é a mulher que eu amo.

- Cala a boca. Vem usar essa boca de outro jeito e, por favor, me ame menos, ou eu não vou saber o que fazer.



Denise Ciciliano mora no ABC Paulista e desde criança gosta de leitura. Participa do Curso de Formação de Escritores.

 

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