Dialogos
O vendedor de estrelas
Patricia Daltro
- Moço, por favor, me vende uma estrela?
- Ah, moça as estrelas acabaram. Levadas por poetas e amantes apressados. São um problema: todo mundo quer uma, mas são efêmeras, um dia estão lá, no outro viram nada.
- Nem umazinha sequer? Daquelas que mal piscam?
- Sinto muito, talvez na próxima semana.
- Não dá. O brilho que busco é para agora.
- E por que não leva um sonho, então? Tenho alguns bem bonitos, recém-colhidos, cheios de promessas.
- Tenho uma caixa cheia de sonhos nunca realizados. Não servem para mim.
- Entendo, mas não desista deles, podem servir no futuro.
- Duvido.
- Entendo. Mas, por que uma estrela com tanta urgência?
- Me apaixonei, sabe? E ele? ele é maravilhoso, mas quando me olha, falta alguma coisa. Queria me ver universo nos olhos dele.
- Se você levar um sonho, poderia dar para ele. Um sonho de um futuro juntos, quem sabe?
- Não seria a mesma coisa. Sonhos são efêmeros, traiçoeiros até.
- Bem, talvez, só talvez eu tenha algo mais interessante.
- O quê?
- Isto aqui.
- Sementes? O que vou fazer com elas?
- Não são sementes comuns. São de amor-próprio.
- Elas vão fazê-lo me amar?
- Não são para ele.
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