Poesias

Eupatia Popular

Tinha boca pra ir a Roma
Se fosse devagar, iria longe

Mas ia com pressa imperfeita
E mal acompanhada
Havia caído na rede como um peixe
Mas não dizia com quem andava
Para que não soubessem quem ela era
Enganava com sua aparência

Dava a César, o que era de César
Era dando, que recebia
Parecia bonito o feio que amava
Sabia que o cão ladrava mas não mordia

Morava na casa da mãe Joana
E se inglês olhasse,
Veria que era tudo feito nas coxas
Feito de pau, como na casa do ferreiro

Enquanto a grama do vizinho, mais verde nascia

Comia cru e quente
Pois sempre tinha pressa
Brincava com fogo e se queimava

Observava os gatos pardos que saiam a noite
Mas ficava no seu galho

Escutava a voz do povo
E pensava ser a voz de Deus
Meia palavra lhe bastava

Madrugava, mas ninguém ajudava
Não havia pedra que furasse
Por mais que a água batesse
Nada podia, então se sacodia

Cantava p ra espantar seus males
Tudo que era bom, durava pouco
Nunca ria por último

A boca que tinha, não iria à Roma


Olive Laiff