Diálogos

Apelo

— Oi, é a Sharon?
—Sim, quem é?
— Gabriel. Voltei de viagem. Preciso falar com você.
— Ah, sim… Desculpe. Quer retomar as sessões? Nossa, quanto tempo! Tenho um último horário já ocupado e depois não atendo mais.
— Sharon, é de suma importância te ver, digo, conversar com você. Voltei de muito longe e foi uma viagem muito difícil.
— Foi atrás de outro vilão?
— Digamos que sim.
— Não o pegou, assim como aquele Psicopata Castrador que procura? É por isso que deseja me ver?
— Nesse caso o peguei.
— Parabéns!
— Não há o que comemorar. Posso passar em seu consultório?
— Te ligo. E se o outro paciente deixar de vir, conversamos.
— Pode verificar agora? Fico na linha.
— Bom... Na verdade ele já disse que está a caminho, infelizmente não há horário disponível hoje. Depois desse paciente, tenho que fechar o consultório.
— Por favor, doutora, nem que seja por alguns minutos, tenho que te encontrar.
— Mas tenho que sair logo em seguida.
— Está a pé?
— Geralmente pego um taxi.
— Para onde?
— Botafogo.
— Te levo.
— Nossa! Agora estou preocupada. Pode me adiantar o que está lhe incomodando tanto?
— Acredite, será melhor falar pessoalmente. É caso de vida ou morte.
Sharon silenciou-se
— Sharon? Você sabe que trabalho em uma delegacia, acabo sabendo das coisas. Preciso...
— Sim, precisa falar comigo.
— Estou preocupado. Estou observando uma imagem onde você está saindo do banheiro feminino do posto de gasolina momentos antes daquele filho da puta que procuro há mais de um ano matar duas mulheres. O Psicopata Castrador. Como mencionei em diversas sessões e você leu nos jornais; ele tortura, castra e mata suas vítimas. Preciso lhe dar dicas para não se tornar uma vítima.
— Me diga, como você poderá me proteger desse psicopata?
— Reconheci alguns comportamentos padronizados momentos antes de realizar o crime.
— Quais?
— Ele monta um altar, com santos e flores, perto do local onde planeja atacar. Vejo um altar perto de seu consultório, nesse exato momento.
— Espera, meu paciente está chegando... Olá. Pode entrar... Gabriel, vou ter que desli-


Ana Carotti