Diálogos

Uma terça qualquer

Giuliano Damiani


- Cesar, você é criativo, né?
- Porra, Rubens! Só quando estou bêbado — responde levando o copo até a boca — Outro amigo, rindo com ar satírico, perguntou:
- Porque precisa de alguém criativo? Quer abrir outro negócio falido?
- Nada disso. Estou em uma oficina literária e preciso entregar uma história de até trinta linhas; feita exclusivamente com diálogo.
- Caralho! Rubão, paga mais uma lá que eu ajudo.
- Já sei! - disse Marcos. - Escreve uma discussão entre um petralha e um coxinha. Esse tema tá na moda.
- Muito complexo para trinta linhas e muito chato de escrever.
- Cacete! O álcool não falha. Escreve sobre um filho que conversa com o pai e no final, como um "plot twist",você revela que o cara esta assustadíssimo, pois o pai morreu há anos.
- Batido demais e não sei se ficaria bem, sendo estruturado só em diálogo.
- Pode falar sobre uma conversa no rádio entre um policial e a base. Vai por mim, o Marcão aqui sabe das coisas.
- Esse até que não é chato. Posso incluir uma ação "costurando" a conversa.
- Que bosta. Então é só ligar a "TV" no Policia 24 horas e copiar o diálogo de alguma reportagem. — exclama Cesar já passando do ponto etílico.
- Pensando bem, seria muito complicado. Teria que marcar muito as falas do policial e da base. Eu também queria pelo menos três personagens para dificultar um pouco as coisas.
- Bem, nós somos três. Porque não escreve sobre três vagabundos que estão em um bar terça-feira á tarde discutindo temas para um diálogo de trinta linhas solicitado em uma oficina literária?
- Tá ai! E nem preciso marcar as falas. O César é o bêbado que só fala palavrão; você é quem dáas boas ideias e eu sou quem as julga.
- Vão se fuder vocês dois. Não sou vagabundo e nem falo tanto palavrão assim.

 

 

 

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